Com paciência aguardei a recuperação da fratura na costela. Foram quase 4 meses de espera. Já 100% regenerado, com ansiedade planejei voltar a surfar no dia em que as condições estivessem perfeitas para que pudesse retornar ao esporte com segurança e tranquilidade.
Esse dia foi hoje.
Fui nem tão cedo na praia de Reserva, na altura do antigo e saudoso trailer Librão, o 175, que fica em frente à casa do Seu Antônio, uma das únicas casas construídas dentro na área de preservação ambiental. Exatamente de acordo com as previsões, o mar estava de meio metro, com vento terral, água quente e sol. Na hora da troca da maré, por volta de 10:30h, ocorreria a conjugação ideal de elementos que tornaria o ambiente perfeito dentro do que eu havia imaginado.
É inexplicável a felicidade em voltar a surfar. Chegar na praia já foi uma emoção muito grande, ver as ondas quebrando e saber que em minutos estaria lá para pegá-las. Antes de entrar na água agradeci pela oportunidade de voltar a praticar este esporte que amo tanto.
Estavam na água alguns caras da galera do Méier que até hoje ainda dominam o pico. São as mesmas figuras de 15 anos atrás, que disputavam comigo e alguns amigos a “posse” daquele fundo de pedra, um dos únicos em toda a praia. Apesar de eles serem maioria agora – e são merecedores porque estão lá todo final de semana – ainda mantemos o mesmo respeito dentro e fora da água como sempre foi. Se a corrida faz as pessoas melhores, com o surf se desenvolve o respeito pelo mar, pela natureza e pelo seu colega que de certa forma é um competidor, mas também um amigo.
Antes de sair de casa tinha mandado uma mensagem pros irmãos Votre, Maurinho e Marcelo, mas os dois estavam encachaçados da saída do dia anterior e não iriam surfar. Parei meu carro como tradicionalmente o faço no guardador Paulão, uma pessoa “das antigas” e gente finíssima.
Acabei encontrando outro “Votre brother”, o Maurício, mas ele estava indo levar uns móveis para o sítio de Campo Grande e também não iria cair. O Papel também estava lá junto com a família, fomos falar com ele.
Ao entrar na água é inevitável soltar um grito de alegria por toda a satisfação de estar ali. Como me disse um massagista do Fluminense, o Gilson, a regeneração do osso o torna mais forte e praticamente inquebrável. Não senti nada como era de se esperar.
Logo peguei a primeira onda, uma “direitinha” boa. O fundo de pedra estava “funcionando” com direitas e esquerdas “abrindo”. Senti muita lentidão para projetar o corpo e ficar em pé, parece que perdi bastante força nos músculos da remada e do drop. Como se diz, tenho que voltar ao “rip”, ou seja, praticar bastante para deixar a prancha “no pé”.
Antes de Voltar pra casa tomei um açaí e fui pegar o kit da corrida de hoje à noite, quando voltarei à praia da Barra para correr a Fila Night Run, evento com metade do percurso na areia e metade no asfalto.
O Sufathlon está de volta!
Boas corridas a todos!