Sexta-feira, véspera de feriado. Tirei o dia de férias para tentar relaxar e decidi ir à praia surfar. Ando extessado, com muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e não tenho conseguido treinar, ou sequer descansar satisfatoriamente. Muito trabalho, muito estudo e poucas horas de sono. Um trotezinho aqui, uma musculaçãozinha ali, um surfezinho acolá. Pouquíssima disciplina e organização. Nada há de funcionar assim.
Dei um rolezinho de skate e escolhi surfar no Canto do Recreio. Eram 16h da tarde. Antes de ir para a água, deixei no carro o cruscifixo que estava usando que foi do meu pai, que ganhei da minha mãe nesta semana. Há muitos anos tenho um cruscifixo meu que não tiro pra nada e agora estava sem nenhum. Me senti desprotegido mas achei que era apenas coisa da minha cabeça.
Na 1a. onda do dia, atropelei uma menina. Quando dropei ela tentou furar a onda embaixo de mim mas afundou muito pouco. Perdi uma das quilhas no acidente e caí da onda. A prancha veio com toda força de volta em mim e pegou em cheio no meu rosto, bem no meu olho. Coloquei a mão e imediatamente vi que estava sangrando bastante. Fiquei um pouco tonto e enxergando mal. Me assegurei que a menina estava bem, contei o que aconteceu e perguntei para ela se estava sangrando muito. Ela disse que sim. Virei a prancha em direção à areia e deixei uma onda me levar. Saí rapidamente da água um pouco preocupado em ver o tamanho do estrago. Continuava sangrando sem parar. Ainda tinha que dirigir de volta para casa e fiquei um pouco perdido sem saber o que fazer. Fui até o quiosque e pedi um guardanapo para limpar o sangue, as pessoas ficavam me olhando e falando que estava ruim. Voltei rápido para o carro. Aparentemente não havia prejudicado a visão e conseguiria dirigir.
Tive um rasgo e um corte profundo ao redor do olho. Abriu, como nos lutadores de boxe. Por muita sorte e interferência divina mais uma vez fui salvo de algo pior. Um ou dois centímetros e eu poderia ter ficado cego. Fui aos poucos percebendo que estava tudo bem porque sangrava cada vez menos, embora não estancasse totalmente. Parei para comprar um açaí e o rapaz me perguntou se eu havia brigado na rua. Para fugir do trânsito voltei pelas Paineiras e ainda aproveitei para tomar banho gelado de cachoeira.
Fui em seguida para o hospital e depois da limpeza do local o enfermeiro recomendou dar um ou dois pontos. A médica achou melhor fazer apenas um curativo de pressão, já que o local era muito próximo do olho e apesar de profundo o corte em si não era muito extenso, não valendo a pena perfurar ainda mais o local, sengundo ela, evitando criar uma machucado maior. Ficou na dúvida e fez somente o curativo, me receitou uma pomada, um antiinflamatório, uma vacina antitetânica e pediu para eu procurar posteriormente outro especialista, um plástico ou dermatologista que para me auxiliar na recuperação, com indicações de outras pomadas e tratamentos estéticos. E assim me liberou.
A pancada foi forte e está doendo. Parou de sangrar e a situação está controlada. Foi mais um acidente grave, com mínimas consequências. Por essas e outras até que me considero bastante protegido, mas acho bom me benzer.
Segue vídeo:
Abraço a todos!
Simplesmente inacreditável!
As dores na costela estão melhorando aos poucos – a cura de uma fratura é bem lenta como previsto. Se estimar 3 meses para a recuperação completa, significa que estou em média 1% melhor a cada dia. A estratégia é a cada semana perceber as respostas do corpo e ir voltando à atividade física na medida em que as dores forem permitindo e os riscos de piorar a lesão forem diminuindo. Vários movimentos causam dor, dói para respirar, tossir e espirrar, dói para alongar, torcer o corpo, virar para dormir ou levantar da cama.
Pelo novo dicionário Aurélio, resiliência é a “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica”.
Passou-se mais de uma semana do acidente em que a gringa largou a prancha em cima de mim na praia do Arpoador, me causando vários traumas. Mesmo assim ainda consegui ir treinar forte, correndo, malhando e surfando bastante nos últimos dias.
Hoje de manhã fui surfar no Arpoador. O mar subiu com uma ondulação de sul de boa intensidade, embora esta direção não seja muito favorável ao local. Além disso, o fundo do Arpoador não está bom, fazendo as ondas quebrarem rápidas, curtas, tubulares e muito próximas à areia, no chamado “inside”. Outras praias estavam com ondas bem melhores no dia de hoje, mas como são mais distantes não foi possível ir. 







