Não tive uma boa performance técnica nesta prova. Segui uma estratégia que não deu certo. Não foi o meu pior tempo, mas fiquei 7 minutos acima do meu recorde na distância e sofri durante o percurso. Achei a prova dura.
Acho que acelerei mais do que devia na Av. Niemeyer, pois subi junto com o Leo num bom ritmo, procurando espaços e ultrapassando bastante gente. A descida foi ainda um pouco mais forte, aproveitando o impulso natural e deixando o corpo fluir pelas tangentes.
Até chegar no Leblon tudo estava indo bem. Passei o km 5 abaixo do meu melhor tempo, mas perto do km 8 ou 9, acusei o esforço e diminui o ritmo, sentindo as pernas bastante pesadas e travadas.
Um fator que me marcou foi bastante foi que o mar estava clássico! Já tinha surfado no sábado e no domingo o mar havia subido um pouco e estava literalmente perfeito! Ondas lisas, constantes, tubulares, abrindo! Virei para ver o mar em Ipanema próximo ao Posto 8 onde tenho surfado bastante e passou a frase pela minha cabeça: “eu queria estar ali!”. Não é sempre que o mar fica perfeito assim, mas esse detalhe demonstra pra mim a total falta de foco que estava na corrida.
O tempo estava ótimo, nublado e com a temperatura agradável. O ar estava muito abafado, não havia um nó sequer de vento, e a cada posto de hidratação eu tomava um banho e bebia muita água.
Um revés tem sempre a capacidade de gerar aprendizados.
O melhor de tudo foi passar bons momentos com pessoas amigas, grandes exemplos e fonte de inspiração. Sem dúvida essa é a parte do saldo positivo mais importante que fica pra mim.
Por isso acima de tudo a corrida valeu sim! A melhor performance é sempre aguardada e comemorada, mas há que se conviver sem ela às vezes.
Acredito que não devemos desistir nunca, e não nos rendermos jamais. Justamente pela dificuldade, foi uma prova de humildade e superação.
Foi a primeira vez que participei deste evento, a corrida Fila Night Run. Ela é diferente de todas as outras porque tem parte do percurso na areia da praia e parte no asfalto, além de ocorrer num sábado de noite. E também é a única prova em que a camisa é de manga comprida, mais uma vez preta, sempre de alta qualidade. Neste ano houve recorde de inscrições, cerca de 8 mil corredores para as distâncias de 5 ou 10 quilômetros, quase o triplo do número de participantes da edição anterior.
Como tinha ido surfar pela manhã, achei que deveria dormir um pouco de tarde, mas o cochilo não passou de uma hora. A preparação para uma corrida noturna é diferente, principalmente no quesito alimentação. O almoço não deve ser muito pesado e um lanche no final da tarde pode ser feito como se fosse um café da manhã antes de uma prova normal. Fiz um almoço não muito cedo, tomei minha supervitamina depois de acordar e parti para o evento um pouco mais tarde do que gostaria.
Chegando na Barra, próximo ao local da prova, parei o carro em cima da calçada num local não muito apropriado. Na hora fiquei um pouco apreensivo de que desse algum problema mas não teve outro jeito, estava tudo lotado e as poucas vagas que restavam por ali estavam sendo ocupadas rapidamente. Rebocar não iriam mesmo, já que eram centenas de carros em situação irregular e dificilmente o meu seria o escolhido, acreditava eu.
Logo encontrei as tendas da Márcia Ferreira e da ACORUJA e a equipe, Lady, Soraya, Márcia, Robson, Rodolfo e o pessoal da organização. Conversei um pouco com eles, mas não me demorei muito e fui me posicionar nos pelotões de frente para a largada, pois havia muita gente inscrita nesta prova e eu sabia que o percurso diferenciado e peculiar poderia trazer uma série de dificuldades. Os primeiros quilômetros seriam percorridos na areia e não tinha muita idéia do que esperar pela frente. Fiquei fazendo um alongamento por ali e vi passando alguns conhecidos como Kbcion, Fabiana e Sol, depois o Marcio Villar mas não consegui falar com eles.
A estratégia de largar na frente foi bem acertada, soube mais tarde que houve tumulto e aglomeração maiores para quem estava atrás. Para mim largar dali foi bem tranquilo, os mais rápidos me ultrapassaram impiedosamente mas não tive problemas de falta de espaço, empurrões, tropeços ou maiores obstáculos. Pra se ter uma idéia da minha posição de largada, eu passei pelo tapete apenas 11 segundos após o soar da sirene.
Inevitavelmente logo no início fui para mais próximo da água onde a areia é mais dura apesar de haver uma inclinação indesejada e o risco de mergulhar o tênis. Até aconteceu uma vez, uma onda veio rápido e pisei com o pé esquerdo dentro da água, como se fosse uma poça grande em um dia de chuva. Mas não incomodou. O contorno sinuoso desse trecho e as constantes fugidas das ondas davam a sensação de que a distância total percorrida estava sendo um pouco maior do que a tangência ideal.
O Robson optou por correr pela parte interna da praia e deu sorte: encontrou o rastro das rodas de um daqueles tratores de coleta de lixo que deixam a areia dura e boa para correr. O percurso todo foi bem sinalizado com cones fluorescentes e tochas no estilo “No Limite”.
Durante boa parte da prova corri com aquela dor lateral no baço. Ainda não aprendi que não posso comer nem beber nada na meia hora antes da prova. Se estivesse bem dava para ter aumentado o ritmo no asfalto, mas se não consegui ir mais rápido, pelo menos o mantive constante. Foi bom como um exercício de convivência e superação da dor.
No último quilômetro, voltar e terminar a prova na areia não foi muito bom, achei que quebrou muito o ritmo da chegada e prejudicou um possível sprint final. Disseram que o percurso foi modificado e ouvi as pessoas prefirem, como eu, chegar no asfalto. Mas a prova foi interessante e valeu a pena corrê-la.
Esta foi a minha melhor colocação em termos absolutos em provas grandes. No tempo geral líquido, cheguei quase entre os 20% primeiros colocados e entre os 30% primeiros na categoria. Certamente não era eu quem estava mais rápido, por já ser acostumado a correr na areia da praia, devo este fato ao bom posicionamento na largada que me tirou do tumulto e aos iniciantes que conseguiram ser ainda mais lentos do que eu.
Me chamou a atenção o fato de ver muitas mulheres bonitas nessa corrida, muito mais do que o tradicional. Será que foi pelo local ter sido na Barra ao invés de no Aterro? Fica a dúvida.
Não posso negar que fiquei um pouco frustrado com esta corrida.
Pelas condições do tempo no Rio, sem sol e com um friozinho agradável, estava mentalmente preparado para tentar quebrar o recorde nos 10 kms que ainda é de 2008.
Acordei preguiçosamente, tomei minha supervitamina e parti para o evento de bike. Neste ano a largada de todas as corridas tem sido planejada para 8hs, desnecessário quando estamos no inverno. A antecipação do horário, contrária à solicitação dos moradores do Aterro que reclamam do barulho, somente é válida para o período em que o sol forte do verão castiga os corredores, o que não costuma ocorrer nesta época do ano.
Ao chegar no Aterro já havia uma multidão se dirigindo ao local do evento. Depois de localizada a tenda da equipe, encontrei a Soraya e fui pegar o meu kit da corrida mas infelizmente ele não estava lá! Minha iscrição, que ficou combinada apenas “de boca”, dessa vez não foi feita e fiquei de fora… Foi um erro meu não ter me comunicado por e-mail com a treinadora oficializando a minha participação. São muitos atletas com compromissos diferentes e é extremamente difícil gerenciá-los.
Como o Gabriel estava inscrito mas não iria participar, corri com o número dele mas me senti um peixe fora d´água, chegando a esconder o número que prendi no short por baixo da camisa. Não sei por que fiquei com tanta paranóia, talvez para não ser identificado nas fotos com outro nome.
A corrida em si foi tranquila, fiz os 5 kms que passaram tão rápidos que não encontrei ninguém conhecido durante a prova. Sempre dou sorte de o Fernando Silva pegar uma foto minha. Havia encontrado com ele antes da corrida e ele me falou que hoje ia ser difícil com mais de 12 mil pessoas participando. Quando vi estava na frente dele e ele riu bastante.
Depois da corrida fui até a tenda das minhas equipes Márcia Ferreira Triathlon e ACORUJA falar com o pessoal que estava lá. Encontrei o Márcio Villar e o Jorge Cerqueira, grandes guerreiros que fizeram o Desafio Rio-Búzios de 200 kms. Encontrei Márcia, Lady, Lúcia, Aline, Gian e algumas outras pessoas que converso sem saber o nome… que amigo que sou! A maioria dos atletas da equipe não participou, acho que evitando o grande número de corredores que tradicionalmente participa dos eventos da Adidas. Também não vi Peter, Wlad, Hoffmann e os virtual runners.
O Circuito das Estações, com as distâncias de 5 e 10 kms, com todo o destaque e a reputação que tem, favorece que seja a primeira prova oficial de muitas pessoas que debutam nas corridas. Havia bastante gente que já andava logo após a largada. Mesmo estes saíram felizes com suas medalhinhas e estas podem ser as sementes que germinarão novos atletas.
Cheguei em casa um pouco decepcionado, além de tudo com as notícias do acidente do Felipe Massa que me deixaram um pouco triste, mas bola pra frente, essa já foi. Massa está bem e tudo voltará ao normal.
Sábado que vem tem mais um desafio na Fila Night Run, desta vez estou inscrito para fazer só os 5 kms, metade na areia, metade no asfalto.
Acordei no domingo com preguiça de ir correr. Ultimamente tem acontecido isso. Coloco o despertador para me acordar cedo mas fico relutando em sair da cama, exposto a sérios riscos de dormir novamente e me atrasar para a corrida. Talvez seja consequência do frio intenso do inverno que tem me convidado a ficar quieto embrulhado na cama, ou da diminuição que fiz temporariamente nos treinos de corrida matutinos que mudaram um pouco o meu relógio biológico.
Como a largada da corrida estava prevista para 8hs, deu tempo de tomar minha supervitamina e chegar dentro do horário previsto. Já havia pego o kit no sábado e, ponto positivo para a organização, além da camisa e do número, já veio junto o chip.
Desta vez a equipe Márcia Ferreira Triathlon não esteve oficialmente presente na competição representada pela tradicional tenda laranja. Mas a equipe ACORUJA estava lá e os amigos corredores sempre assíduos às competições também não costumam faltar a eventos grandiosos como este organizado pela Corpore.
A Corrida dos Fuzileiros Navais não tem similares, pois conta com a participação de diversos pelotões militares que correm juntos, estimulados por seus companheiros e pelos seus gritos de guerra, promovendo um espetáculo à parte e um diferencial que faz da prova um evento muito interessante. Ao lado da estrutura do evento são expostos grandes veículos de combate, carros anfíbios de última geração, artefatos usados pelas Forças Armadas nas operações de guerra, minas terrestres, armamentos, vestuário, acessórios e fotografias. As pessoas podem entrar nos veículos especiais, tirar fotos em cima dos tanques e montar nas motocicletas. É uma festa.
A Corpore como sempre está de parabéns e solidifica sua posição entre as melhores empresas organizadoras de eventos esportivos do país. Tudo feito à luz da perfeição, sem erros ou equívocos. Eram várias distâncias possíveis: 5, 10 ou 20 kms. Optei por fazer os 10 kms mesmo, com o único intuito de me divertir e me integrar ao espírito da competição que é de total confraternização.
A largada foi bem tranquila, com os atletas situados em divisões separados de acordo com cores específicas. Encontrei com o Rodolfo Bueno e ficamos conversando até que soou o tiro de canhão que indicava o início da prova. A partir daí, segui sozinho no meu ritmo, tranquilo, um pouco abaixo de 6 min./km. Tentei encurtar a passada para correr com menos esforço.
Geralmente uso os primeiros quilômetros das provas iguais ou superiores a 10 kms para me aquecer, não me preocupando em desenvolver velocidade até que o corpo esquente. O ideal é que faça o aquecimento antes da prova e inicie já com um ritmo mais forte, mas não é o que tenho feito. Dessa vez optei por acelerar um pouco mais desde o início, mas a estratégia não deu certo o que me fez ver o ritmo cair ao longo da corrida. Mas no geral vim bem controlado e estável.
Encontrei algumas pessoas após a prova mas, como a tenda da equipe da Márcia não estava lá, nem fiquei muito tempo por ali. Acompanhei a chegada dos 20 kms e dos pelotões militares e fui pra casa.
Gostei do evento, já participei das edições de 2008 e 2009. Espero voltar a corrê-lo no ano que vem.
O que você faria se no meio de uma corrida um corredor desconhecido tombasse passando mal à sua frente?
Pois foi o que ocorreu comigo na Corrida de São Sebastião neste domingo. Não pensei duas vezes: parei para ajudar o corredor chamado “seu Nilton”, de 52 anos que, pelas suas próprias palavras, só estava acostumado a correr uma média de 5 kms eventuais.
Vários fatores culminaram com a perda súbita de suas forças: apesar de o sol estar parcialmente encoberto pelas nuvens, dando a falsa impressão inicial de amenidade, durante a prova a sensação térmica era de um abafamento agonizante. Além disso faço uma dura crítica à organização da Spiridon: água deve ser sempre abundante. Para corridas de 10 kms no Aterro o ideal é que tenhamos postos de hidratação a cada 2,5 kms. Nesta corrida o primeiro posto foi colocado somente no km 4.
O calor era tão intenso que nestas condições fico na dúvida se refrescar a cabeça jogando um copo de água seja a melhor opção, mas foi o que fiz. Depois de alguns segundos de relaxamento, parece que a umidade e a evaporação tornam o calor ainda mais insuportável. Os reflexos imediatos são o significativo aumento dos batimentos cardíacos e a consequente necessidade de diminuir do ritmo.
Quando chegava próximo ao km 7 tudo aconteceu muito rapidamente. Seu Nilton quase teve um mau súbito, desabando no canto da pista junto à grama, de olhos fechados e nitidamente passando mal. Chegou a babar pela boca e seu peito parecia uma bateria de escola de samba, tamanha a arritmia. Paramos eu e alguns corredores para ajudá-lo, entre nós um médico, enquanto um corredor providenciava água gelada e outro voltava para pedir auxílio à equipe médica no intuito de enviar a ambulância para socorrê-lo.
Depois do susto inicial, quando ele parecia ter desmaiado e entrado em processo convulsivo, e de alguns minutos de tensão até que ele recobrasse os sentidos, o colocamos sentado por alguns instantes. Reclamava muito do calor e pedia que o refrescássemos jogando água. Aguardei a chegada da ambulância, certifiquei-me que estava tudo bem e tentei voltar para a prova, mas perdi totalmente o “tesão” de correr. Mais à frente ouvi rumores de que outro corredor estaria caído e solicitava atendimento com urgência.
Daí tiramos algumas lições: a primeira, bastante comentada por aqui, é sobre o auto-conhecimento dos nossos próprios limites e o extremo respeito com que devemos encará-los. Competição, orgulho, vaidade e irresponsabilidade podem ter consequências trágicas. Daí a fundamental importância em ter um relógio que monitore a frequência cardíaca, para que possamos conhecê-la e acompanhá-la com precisão, sabendo o momento de diminuir ou até mesmo parar. A segunda é que ajudar o próximo que se encontra em dificuldades é sempre o melhor que podemos fazer.
A corrida teve bons momentos também, por exemplo quando tentei acompanhar por alguns minutos o ritmo frenético da profa. Márcia Ferreira depois que ela passou por mim. Engatei a quinta em um ritmo alucinante, parecia que as outras pessoas andavam, tamanha a voracidade das ultrapassagens. Continua uma atleta incrível. Me chamou com naturalidade para acompanhá-la até o final, o que me fez das boas gargalhadas. Deve ser muito bom correr assim, mas tive que deixá-la prosseguir junto a outro atleta da equipe que ia fazendo o abre-alas.
Pela equipe ACORUJA que levou o troféu de maior número de inscritos, estavam Ricardo Hoffmann, Jorge Cerqueira, Gian Ramalho, Rodolfo Bueno, Lady, o novo amigo real André Xampa e toda a galera que não sei o nome, além da Aline Freitas, do Robson e de outros atletas da Márcia que foram ao Aterro apenas para fazer um treino de corrida e bike.
Enfim, se por um lado fica uma ponta de frustração, pelo menos fiz a minha boa ação do dia. Aos “seu Niltons” das corridas, não há diversão quando se arrisca a vida. Monitorem seus batimentos, treinem com frequência, respeitem seus limites e não tenham vergonha de andar ou parar, só assim poderão encarar novos desafios com segurança.
Fiz uma pesquisa na internet e descobri dados alarmantes de 2007 (fonte HCor, Revista Vigor), na qual há 1 morte súbita no Brasil a cada 4 ou 5 minutos:
É a mãe, sem dúvida nenhuma, a rainha de todas as provas. A São Silvestre, mais famosa corrida de rua de toda a América Latina, iniciou em 1924 com apenas 48 corredores. Ontem, mais de 20.000 pessoas tiveram a oportunidade e o privilégio de percorrer as ruas da maior cidade do Brasil, no uníssono das passadas de uma manifestação esportiva e popular inigualável. Não há, nesta dimensão, corrida igual em qualquer outro canto do planeta.
É incrível como a unanimidade sobre a proporção do evento contagia e atrai pessoas de todo o país. Com isso ganha uma impressão tipicamente brasileira cuja qualidade é representada pela irreverência e confraternização promovida pelos atletas e pela população que vibra a cada rua, a cada passo. A São Silvestre está no imaginário das pessoas e me faltam palavras para descrever o evento em sua plenitude. A história já o fez e continua a fazê-lo com excelência.
Mas voltemos aos fatos. A São Silvestre ocorre tradicionalmente no último dia do ano, 31 de dezembro. A idéia era ir, correr e voltar no mesmo dia para passar o reveillon de volta à cidade maravilhosa. Fomos um grupo daqui do Rio com algumas pessoas da equipe da Márcia Ferrreira/ACORUJA como eu, Peter Wetzlar, Rodolfo Bueno, Lady e Verônica Pescadinha; o Ricardo Hoffmann que é da ACORUJA/Araribóia Runners, além de outros corredores que não sei o nome. O Peter e a Verônica já tinham ido no dia anterior, o restante foi em um avião praticamente vazio, chegando à cidade sem atrasos por volta de 9h da manhã.
O sempre generoso e amigo paulista Guilherme Maio estava nos aguardando no aeroporto para nos assessorar em SP, depois de já ter providenciado inclusive a retirada antecipada de nosso kit da corrida, a quem agraceço muito por toda a hospitalidade oferecida. Me deixou no hotel e saíram ele, o Hoffmann e o Leo Hacidume, que está morando lá temporariamente para o Mercado Municipal. O Hoffmann havia pensado o ano inteiro em comer aquele sanduíche de mortadela e andar pela cidade, então preferi descansar e me poupar para a corrida. Será que se esqueceram de que iam correr ainda 15 km sendo os últimos 4 km de final apocalíptico que é a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio? Eu, pelo contrário, esta tenso e apreensivo, refazendo o percurso mentalmente para programar a corrida de acordo com as minhas expectativas, prática que mais uma vez se mostrou acertada pois tudo o que ocorreu foi aquilo que imaginei nos melhores cenários.
Combinamos de almoçar no restaurante Cantina Nipolitana, cuja especialidade é cozinha italiana e o dono japonês. A comida estava excelente e o ambiente bastante agradável. Almoçamos eu, Peter, Leo, Hoffmann, Maio, Verônica, Mayumi, Hideaki, Júlio Cordeiro de Recife e Daniel Fonseca de Minas. A conversa principal? Corridas, é claro! Depois voltei para dar mais uma pequena descansada antes da largada, me arrumar e finalmente ir correr. Marcamos o encontro próximo à Av. Pamplona por volta de 16h, mas chegando lá não consegui achá-los. Fiquei entretido tirando fotos com as figuras do evento, conversando com o povo e me divertindo bastante enquanto aguardava o esperado momento do soar das buzinas.
O clima estava bastante agradável e a Av. Paulista completamente lotada. Ouvi o locutor dizer que não conseguia ver ao longe o final da multidão. Havia placas indicativas de expectativa de pace para a corrida para melhor posicionamento, o que é fundamental e ajuda a evitar um tumulto maior, mas é muito difícil correr nestas condições, sem dúvida. O zigue-zague para ter que ultrapassar centenas de competidores mais lentos ou cansados, além do desgaste físico e mental, custou-me mais do que um quilômetro na aferição final do percurso medido pelo GPS, sendo que em várias ocasiões me via encurralado tendo que diminuir o ritmo até conseguir ultrapassar um grupo ao redor. Os espaços são pequenos e apertados. Cotoveladas e tropeções não são raros de ocorrerem.
Demorei cerca de 15 minutos para passar pelo pórtico de largada. O km 1 foi alcançado logo após o final da Av. Paulista e fui em um ritmo bastante confortável. Encontrei com o Leo Hacidume e fomos juntos a partir da descida forte da Av. Consolação que vai até um pouco além do km 3. A estratégia principal foi poupar forças para o trecho final que seria provavelmente o grande ponto da prova. Gastar muita energia no início poderia ocasionar uma perda irrecuperável que seria sentida a partir do km 11 quando as fortes subidas eram aguardadas.
Foram muitos pontos interessantes que passamos pela cidade. No minhocão os prédios são bem colados à pista e as janelas dos apartamentos estavam lotadas de espectadores. O povão participa bastante incentivando alguns e zoando outros tantos, mas é tanta figura que o objetivo parece ser esse mesmo, retratando a irreverência e o vanguardismo do pensamento brasileiro, há tantos anos.
Fomos fazendo um split negativo até o início das subidas no km 8, mas sempre ultrapassando muita gente. Íamos conversando e mantendo o piloto-automático acionado. Um pouco antes havíamos encontrado com a Mayumi e o Hoffman, indo todos daí até o final juntos. Apesar de inúmeros “pipocas”, havia água gelada em todos os postos. A organização esteve fantástica.
Enfim veio a subida da Av. Brigadeiro. Um mar de`corredores podia ser avistado ladeira acima. Os treinos nas Paineiras fizeram bastante diferença e, apesar de a subida ser forte e longa, não tive maiores dificuldades. Cheguei a comentar em tom de brincadeira com a Mayumi que o tal brigadeiro estava um “docinho de côco”. Vale ressaltar a técnica de subida da Mayumi e o passinho enganador do Leo. Os kms iam passando e estava me sentindo cada vez melhor. Na virada da Av. Paulista peguei a câmera e filmei o minuto final até a chegada. O Hoffmann também veio filmando e temos vídeos filmados no mesmo momento, com visões distintas. Passamos pelo pórtico de mãos para o alto e completamos com 1h e 40 minutos, exatamente o tempo que havia planejado, conservador mas que me proporcionou realizar uma das melhores, senão a melhor corrida da minha vida.
A volta para o Rio também foi cronometrada e tranquila, sem atrasos, e apesar do cansaço chegamos de volta à cidade no horário previsto ainda conseguindo chegar em tempo para outra festa aonde estavam vários amigos, fechando o dia e o ano com chave de ouro.
Mentalmente e fisicamente preparado para esta prova, finalmente consegui, na última corrida de 10km de 2008, alcançar a meta do ano que era completar oficialmente os 10km em menos de 1 hora, superando em cerca de 4 minutos o recorde anterior. Esta meta não é a mais importante, mais do que isso a meta principal é continuar correndo com saúde. Mas os tempos inevitavelmente determinam a sua evolução e a sua adaptação aos treinamentos, e quando perseguidos com responsabilidade, são parâmetros valiosos e concretos usados para verificá-las. Para efeitos comparativos, havia feito esta mesma prova em 2007 com o tempo de 1h 09 min. Hoje consegui chegar com inéditos 58 minutos, sem dúvida um grande marco pessoal para mim.
A estratégia que tinha planejado para superar esta marca foi a mais simples: dividir a prova em 2 corridas de 5km, fazendo 2km de aquecimento e 3km mais fortes em cada metade. Na prática não foi exatamente isso que aconteceu, mas em linhas gerais a estratégia foi muito valiosa para que estivesse o tempo todo com a corrida sob controle, conseguindo de certa forma projetar o futuro do que fazer a seguir.
Saí de casa um pouco mais tarde do que deveria. Como tenho treinado corridas à noite, acordar cedo no domingo para ir correr não tem feito parte de minha rotina, o que me gerou bastante preguiça e me fez estender o sono perigosamente por alguns minutos, daqueles típicos em que se dorme novamente. Como já tinha pego o kit no dia anterior e junto com ele o chip da corrida, não houve nenhum tumulto nem maiores problemas para chegar, aquecer e me posicionar para a largada próximo ao horário de início.
Aliás, a organização do evento esteve perfeita. Acho que eles pensaram em tudo, desde a enorme área ocupada próximo ao Monumento aos Pracinhas e adjacências, passando pela logística, distribuição dos recursos e é claro pela corrida em si. A Yescom em parceria com a Rede Globo foram impecáveis desta vez, inclusive programando o horário acertadamente para as 8hs da manhã. Não estava sol mas a temperatura beirava os 30 graus, considerados até agradáveis perto do que pode chegar nesta época do ano.
No início da corrida havia bastante gente e era difícil fazer ultrapassagens. Estava me movimentando pelo bloco que estava aparentemente indo um pouco mais devagar do que eu queria. Foi bom porque segurou um pouco meu ímpeto inicial, pois o primeiro par de quilômetros deveria ser apenas de aquecimento a cerca de 6min/km. No primeiro km passei com 5:39, um pouco mais rápido do que esperava mas estava indo bem. Passaram por mim o Peter e a Verônica, dois triathletas da equipe da Márcia. Vi passando também o Corredor-X, logo na largada.
Segui constante até o 2km com 05:35 e acelerei um pouco, guiado pelos batimentos cardíacos que estavam bem fracos, sugerindo que estivesse mais lento do que deveria e com menos esforço do que vinha alcançando nos treinamentos. Mantive o ritmo mais forte até o km 5, como planejado, quando diminuí para me recuperar um pouco, visando poder cumprir a segunda volta rápida.
Próximo ao km 7, já conseguia avistar a Verônica mais à frente, e percebia que aos poucos ia me aproximando dela. Iniciando a acelerada final, coloquei na cabeça que iria ultrapassá-la e antes do nono quilômetro consegui superá-la. Ainda ultrapassei o Júlio Jubb, corredor amigo que sempre me ultrapassava nas minhas primeiras corridas em 2007, que me elogiou e incentivou dizendo que eu estava indo muito bem. Realmente o que o treinamento não faz, amigo!
No final, depois de pegar a bonita medalha e o kit pós-prova, encontrei o Jorge, o Rodrigo da Sportclick, o Wlad, a Aline, o Gian e um ou outro amigo, quando conversamos, tiramos algumas fotos e nos despedimos desejando um feliz Natal e ótimo 2009 para todos, já combinando as próximas provas.
O nosso maior cestinha de todos os tempos, Oscar Shmidt, tem uma frase sensacional que diz assim: “O impossível só vira realidade se você estiver preparado quando a oportunidade aparecer”.
Esta corrida foi especialmente gratificante para mim. Teve tudo para dar errado, mas não é que as coisas se acertaram e de seu modo foi uma das minhas melhores corridas?
Isso me faz refletir mais uma vez sobre o que está por trás dessa certa aleatoriedade da vida. Ás vezes temos tudo sob nosso controle, os acontecimentos vão moldando um ambiente perfeito para que algo especial aconteça, algo que você deseja e quer muito em um determinado momento. Mas se alguma coisa dentro ou fora de seu controle der errado, a reação em cadeia pode gerar um desastre total.
Do lado contrário, percebemos também em algumas situações onde, estando em um ambiente caótico, com poucas chances de algo dar certo, a mágica acontece e voilá – aqueles possíveis obstáculos vão se desfazendo pelo caminho, abrindo espaço para momentos agradáveis e de plenas realizações.
Tudo começou quando o despertadou tocou às 6 horas da manhã. Pelo antigo horário eram 5 horas, não é isso? Aquela preguiça imensa de um domingo de manhã e muita vontade de dormir mais. Obviamente, como a corrida começaria às 8 horas, poderia colocar o despertador para às 6 e meia. Só levantei mesmo às 7, indo direto tomar um banho para despertar. Preparei um cafe-da-manhã leve, me arrumei e já um pouco atrasado, às 7 e meia estava entrando de bike no elevador. Não tenho problemas para pegar o kit pois a treinadora Márcia Ferreira já concentra a entrega para seus atletas em sua tenda.
Quando a porta fechou o elevador não desceu. Simplesmente ela travou e não queria mais abrir. Tentei forçar a porta para fechá-la e ver se o elevador descia, manipular os botões para tentar abrir, tentar abrir “na marra” mas nada aconteceu. Liguei para o porteiro e informei que estava preso. Já eram 7 e meia mas ainda daria tempo de chegar. O porteiro então subiu para o meu andar e tentou abrir a porta por fora, sem êxito. Desceu novamente para procurar uma chave de fenda para destravar a porta e desligar a energia do elevador. Mais alguns minutos e a energia foi desligada. Mas nada da chave de fenda. Ela não estava lá… O porteiro então ligou para o zelador que acordou assustado e foi tentar resolver o problema.
De repente ouço o zelador gritar lá de baixo: “filho da &*%$!#%!!!!”, “#%@#*!!!!”, “$@*%#!!!!”, além de um forte barulho de alguém mexendo com furor nas gavetas da portaria, um barulho que misturava chaves e metais. Resultado: o outro porteiro havia pego a chave de fenda e ninguém sabia onde ela estava. Nessa hora olhei para o relógio e já marcava 7:49. Foi quando pensei: “desisto”. Sentei no elevador e fiquei muito decepcionado. Ia fazer o quê, voltar pra casa e dormir? Foi muito frustrante. Estava ali pronto para correr e sabe-se lá quanto tempo mais ficaria preso dentro do elevador. O zelador então teve que ligar para o síndico. Este o forneceu uma chave de fenda e lá veio ele de volta aos berros correndo pela escada. “Já estou indo!”, o tempo todo gritava! Tive que rir…
Quando ele finalmente conseguiu abrir a porta, eram 7:59!!!!! Pensei: “tudo bem, ferrou, vou correr sozinho lá trás, mas vou correr!”. Voei na bike como nunca, mas quando cheguei na esquina da Rua Paissandu com Praia do Flamengo às 8:05, a minha visão foi de um bando de gente correndo, ou seja, a largada já tinha acontecido. Mas ainda havia algumas pessoas no desespero como eu. Procurei a tenda da treinadora e me ajudaram a prender a bike. Nessas horas de pressa sou “todo errado”. Esqueci o gel e voltei, esqueci o chip e voltei, e quando o locutor anunciou que faltava um minuto para encerrar a largada ainda estava procurando o último alfinete para prender o número. Desisti, fiz um leve e insuficiente alongamento e parti para a prova com uns 10 minutos de atraso. Me surpreendi com a quantidade de gente ainda na área do pórtico. Tinha mais gente ainda para largar do que muita corrida de porte menor. Larguei quase no limite e a partir desse momento tudo mudou.
Tinha muita gente andando, provavelmente para os 5km. Muitos outros andando e correndo alternadamente, como muitos de nós fizemos no início de nossa “carreira” amadora. As corridas da Adidas sempre atraem novos adeptos para o mundo das corridas, praticantes iniciantes que também ficarão encantados com essa energia que é transmitida a cada passada e se tornarão assíduos corredores. Fui ultrapassando e percebendo as pessoas, contagiado por essa aura de inúmeras possibilidades, onde cada pessoa é uma experiência humana e a descoberta é sempre estimulante.
Pelo terceiro quilômetro passei pela Lúcia. Nos cumprimentamos e corremos algumas centenas de metros juntos, até que me despedi e parti para a minha corrida. Estava me sentindo bem e fui mantendo um ritmo abaixo de 6min/km. Próximo do quinto quilômetro encontrei com o Sivio. Ele estava com uma mochila nas costas e de boné. Imaginei que fosse aquela mochila que leva alguns litros de água. Conversamos e conversa-vai-conversa-vem comentei que na sexta-feira fui a uma festa e havia dormido às 7 horas da manhã. Ele virou para mim e falou: “E você está falando isso para a câmera?”. “Que câmera???”, eu falei. Ele estava com uma mínima câmera presa ao boné e na mochila estava a filmadora em si. Sensacional!! Ele grava a perspectiva do corredor. Como ele trabalha na produção da Globo, achei que era algo relacionado mas ele disse que era pessoal mesmo. Se puder vou tentar recuperar esta parte do vídeo e postar aqui. Muito engraçado. Fomos conversando mas perto do km 6 ele teve que parar para conferir alguma coisa na câmera e continuei na minha corrida.
Dei uma relaxada no ritmo alternando com momentos mais fortes. Foi uma corrida tipicamente de ultrapassagens, o que gera sempre uma sensação ilusória de um melhor desempenho, fazendo o clima ainda mais agradável. No final fiz um sprint longo e bem veloz, chegando muito bem fisicamente e bantendo meu recorde pessoal na distância com 1h 02 min 20 seg, chegando mais perto da meta de baixar de 1 hora. Agora senti que a possibilidade de isso acontecer aumentou bastante.
No final algumas fotos na equipe da Márcia e aquele papo de sempre com os amigos corredores. Estiveram lá o Hoffmann, Gian, Campelo, Lady, Robson, bastante gente nACORUJA mas nada de Wlad, Leo, Jorge e muita gente tradicionalmente presente nas boas corridas.
Abraço a todos e até o “cata-prego” de Guará, no Bar do Mané!
Essa foi a minha primeira corrida inter-estadual. Incentivado pelo amigo Ricardo Hoffmann, resolvi aceitar o desafio de correr estas 10 milhas de Vitória a Vila Velha, no Espírito Santo, como preparação para a meia-maratona do Rio em outubro.
Acabamos nos juntando aos amigos corredores de São Paulo, Guilherme Maio, Fábio Namiuti e sua esposa Janete, ficando em Vitória no hotel Ibis que tem a excelente promoção para corredores que pagam meia diária apresentando o comprovante de inscrição para a corrida. Imperdível pela ótima qualidade do hotel e pela presença bem localizada nas maioria das capitais. Havia ainda um ônibus vindo do Rio com o pessoal da ACORUJA, Lady, Richard e vários outros.
Ambas as cidades, Vitória e Vila Velha me impressionaram bastante. É como se fosse a cidade de Cabo Frio, mais desenvolvida e melhor planejada. Ou o Rio de Janeiro, menor – um pouco menos bonito, porque é difícil superar o Rio em belezas naturais – mas bem organizado. É um canteiro de obras em ebulição e muitas oportunidades devem estar sendo geradas. Espero que os investimentos de base também sejam estendidos aos bairros fora da orla para que seja evitado gerar muita desigualdade entre eles.
Pegar o kit na fábrica da Garoto foi um pouco traumático. Uma fila muito grande para entrar, que até andou rápido. Já lá dentro, tinha que descobrir qual era o seu número, depois uma fila para pegar o número, uma outra fila para pegar a camiseta, mais outra fila para testar o chip e finalmente tinha até uma fila para sair.
Para a corrida no domingo estava estimado um calor de 34 graus, que aliado à largada prevista para as 9hs da manhã fazia da travessia da temida 3a. ponte, com altura de 70 metros e quase 4 km de distância, um desafio cada vez maior a ser vencido. Mas o meu principal problema era a lesão na virilha que ainda não havia sido erradicada por completo e que mais do que o sol, o calor, o vento ou a ponte, definiu a minha estratégia e me deixou bastante ansioso. Foram duas semanas de muito gelo, gelol, biofenac, massagem, descanso e sabão de côco. Sabão de côco??? Segundo o Hoffmann, dica de um ex-massagista do Vasco. E não é que funcionou?
A previsão metereológica havia errado desta vez, e desde cedo o céu estava nublado e a temperatura agradável, o que poderia ser um fator negativo para os mais afoitos. O percurso tem subidas, descidas e muitas curvas, o mormaço é bem quente e acelerar cedo pode aumentar muito o risco de quebrar no final. Depois de um bom café-da-manhã, parti com os meus amigos para a largada, na praia de Camburi.
Fiz somente um forte alongamento, deixando para aquecer durante os primeiros quilômetros. Me poupei ao máximo até o quanto pude. Me senti especialmente bem durante a corrida, segurei o ritmo e tentei curtir cada momento. No início, até a subida da ponte que fica após o 3o. quilômetro, havia alguma apreensão. A subida é forte e muita gente teve que andar.
Lembrei-me dos inúmeros treinos nas Paineiras que me deram uma boa condição física e psicológia para enfrentar subidas. Consegui manter o esforço adequado ao meu ritmo e desci soltando o corpo para relaxar todos os músculos. Que vista incrível lá de cima, literalmente é o ponto alto da corrida. Na subida foi um momento em que senti que a virilha trabalhou mais, mas não chegou a atrapalhar. No resto da corrida ela não me incomodou muito, mas atualmente é um ponto crítico do qual não posso me descuidar.
Desde a subida tentei incentivar as pessoas que andavam. Acredito que isto só seja possível quando se está bem na corrida. Depois do quilômetro 9 ou 10, apesar de cansado, percebi que estava cada vez mais próximo e que não tinha mais como parar. A quantidade de endorfina foi tamanha que relaxei completamente e passei a curtir a corrida em sua plenitude, estimulado pela população local que valoriza o grande evento e vibra com a passagem dos atletas. Foi sensacional.
O grande ensinamento para mim foi: para se sentir bem ninguém precisa correr rápido. A velocidade vem com o tempo, com muito treinamento e dedicação. O prazer em correr, seja em qualquer ritmo, supera qualquer resultado técnico de tempo.
Esse é o grande segredo da corrida. Como no surfe há os “soul surfers”, ou os surfistas de alma, nas corridas também temos espaço para os “soul runners”. Mas só para constar fiz um tempo de 1h 53min, com pace de 7min./km. Totalmente dentro das minhas expectativas que era fazer um sub-2h.
Toda a estada foi incrível, foram momentos muito gratificantes e prazerosos, com a companhia de grandes pessoas para um grande evento de corrida em uma bela cidade.
Neste domingo corri a Vivo Rio Run no Aterro. Finalmente senti uma melhora real proporcionada pelo último mês de treinamentos com a profa. Márcia Ferreira.
A corrida foi ótima em todos os aspectos. Primeiramente gosto muito do percurso desta corrida, a qual corri também no ano passado. Ela começa no MAM, Museu de Arte Moderna, sobe em direção à Av. Perimetral quando há o primeiro retorno. Segue em direção a Botafogo até um novo retorno junto ao restaurante Porcão, completando o percurso de volta ao MAM.
A temperatura, embora também estivesse sol, era bem mais amena do que na última corrida da Adidas no domingo anterior que castigou os atletas. Além do mais, a distância era de apenas 6,3km, o que daria para imprimir um ritmo mais forte que o tradicional.
Seguindo o padrão das boas corridas do Rio, a organização esteve novamente impecável. A Vivo Rio faz parte do Circuito Spiridon de Corridas em conjunto com a Corrida dos Comerciários e a Corrida das Academias. No ano passado participei das três e tentarei repeti-las neste ano.
A minha estratégia para esta prova foi diferente, pouco tradicional, mas uma das melhores, que me perdoem aquele(a)s que discordarem de mim: logo no início da corrida, escolhi uma “coelhinha” para seguir, que poderia ser qualquer menina charmosa e bonita que corresse em um ritmo um pouco mais forte que o meu. Dei sorte ao escolher uma menina que preenchia todas essas características. Tinha um cabelo loiro perfumado e mantinha um ritmo constante. Nem quis ver o rosto da menina, preferi me focar em apenas seguir a estratégia, ou melhor, a coelha. Passamos o primeiro quilômetro com 5:25min, o segundo com 5:20min, mais alguns neste ritmo e tudo ia bem. Mas em determinado momento ela acelerou e não consegui mais acompanhar. Valeu pela força e pelos quilômetros de inspiração, mesmo sem saber quem foi!
Estava me sentindo bem e consegui manter o ritmo constante por toda a prova, tendo sido a corrida mais homogênea que fiz em toda a minha vida, mantendo o pace entre 5:20min/km e 5:25min/km em 5 dos 6 quilômetros, sendo o outro 5:40min/km.
No final fechei com um tempo de 34min 11seg, mais de 10 minutos abaixo do tempo obtido no ano passado. A grande melhora que senti e o que me mais impressionou foi o fato de ter conseguido imprimir o mesmo ritmo – para mim forte – continuamente durante toda a prova. Acho que o auto-conhecimento sobre o meu corpo está aumentando. Com mais treinamentos espero poder realizar este mesmo feito para 10 quilômetros ou mais.