Na última corrida de São Silveste, consegui chegar na frente do Franck Caldeira!
Bom, não foi bem assim como se poderia imaginar, a câmera filmando a minha incrível ultrapassagem por ele no pelotão de elite. Até porque eu não estava no pelotão de elite e cheguei depois de 10 mil corredores. O que aconteceu foi que ele quebrou e abandonou a prova, ainda no km 10.
Contrastando com a aparente arrogância, soberba e sarcasmo deste post, venho a público manifestar que mantenho profundo respeito por este atleta jovem, de apenas 25 anos e com uma carreira vitoriosa: um corredor que já venceu provas como a Maratona no Pan-2007; a Volta da Pampulha em 2003, 2006 e 2007; a Meia do Rio em 2006 e 2007, a própria São Silvestre em 2006, além de inúmeras outras provas menores, como a última Rio 10k Panamericana, que também participei.
Desta vez, pelo que acompanhei pela imprensa, ele teve problemas com a alimentação e se sentiu mal durante a corrida. Pode acontecer com qualquer um, ainda mais no nível de performance que estes caras atingem, em que cada detalhe é determinante. São verdadeiras máquinas de correr. Para se ter uma idéia, o campeão da São Silvestre, o queniano James Kipsang fez uma média de menos do que 3 minutos por km, ou seja, mais que o dobro da minha velocidade.
O aspecto psicológico de um atleta é muito importante. Tem que ser sempre trabalhado para que se consiga superar a tentativa de dominação da mente que cria situações às vezes ilusórias e aterrorizantes. As pequenas vitórias vão fortalecendo essa questão emocional. A capacidade de superação, humildade, perseverança, determinação, paixão, atitudes comuns aos corredores, devem ser sempre valorizadas.
Por outro lado, esta não é a primeira desistência do Franck Caldeira. No ano passado ele havia abandonado a São Silvestre no km 11, e nas Olimpíadas da China ele desistiu de completar a maratona olímpica. Franck tem experiência suficiente para conhecer seus próprios limites, e provavelmente parou preventivamente para se poupar de um problema maior. Acho essa atitude extremamente válida, pois ao invés de forçar e sustentar uma situação com irresponsabilidade, por vaidade ou orgulho, preservou o corpo, seu principal instrumento de trabalho, para que o mantivesse são no intuito de aproveitar uma melhor oportunidade. Isso não é raro de ocorrer na elite mas é uma postura que serve de exemplo para amadores de que os limites devem ser respeitados.
Há muita polêmica no assunto, e reitero que sou fã do Franck Caldeira, pela sua conduta, pelos seus resutados e pela imagem que transmite, e tenho certeza de que ainda o verei subindo em mais pódios nos grandes eventos internacionais, coroando ainda mais sua carreira de sucesso.
Um abraço, campeão, saúde e vitórias em 2009.











Paulo,
Excelente post, parabéns !
Sou um leigo absoluto no assunto, mas nas comunidades do Orkut se comentou que o “pecado” do Caldeira teria sido o “excesso” de competições que ele se propôs realizar em ritmo competitivo.
O tempo é o senhor da razão e só no futuro poderemos atestar quem estava correto.
Valeu !
Ass.: Guilherme.
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