| Nome | 84a. Corrida Internacional de São Silvestre | Distância | 15.00 Km |
|---|---|---|---|
| Local | Av. Paulista -- São Paulo / SP | Data | 31/12/2008 |
| Dist. Real | 16.13 Km | Tempo Liq. | 01:41:37 | Tempo Tot. | 01:56:56 |
|---|---|---|---|---|---|
| Velocidade | 8.86 Km/h | Pace | 06:46 min/Km | No. Peito | 12325 |
| Geral | 11942/17013 (70%) | Sexo | 10653/14297 (75%) | Categoria | 1784/2311 (77%) |
É a mãe, sem dúvida nenhuma, a rainha de todas as provas. A São Silvestre, mais famosa corrida de rua de toda a América Latina, iniciou em 1924 com apenas 48 corredores. Ontem, mais de 20.000 pessoas tiveram a oportunidade e o privilégio de percorrer as ruas da maior cidade do Brasil, no uníssono das passadas de uma manifestação esportiva e popular inigualável. Não há, nesta dimensão, corrida igual em qualquer outro canto do planeta.
É incrível como a unanimidade sobre a proporção do evento contagia e atrai pessoas de todo o país. Com isso ganha uma impressão tipicamente brasileira cuja qualidade é representada pela irreverência e confraternização promovida pelos atletas e pela população que vibra a cada rua, a cada passo. A São Silvestre está no imaginário das pessoas e me faltam palavras para descrever o evento em sua plenitude. A história já o fez e continua a fazê-lo com excelência.
Mas voltemos aos fatos. A São Silvestre ocorre tradicionalmente no último dia do ano, 31 de dezembro. A idéia era ir, correr e voltar no mesmo dia para passar o reveillon de volta à cidade maravilhosa. Fomos um grupo daqui do Rio com algumas pessoas da equipe da Márcia Ferrreira/ACORUJA como eu, Peter Wetzlar, Rodolfo Bueno, Lady e Verônica Pescadinha; o Ricardo Hoffmann que é da ACORUJA/Araribóia Runners, além de outros corredores que não sei o nome. O Peter e a Verônica já tinham ido no dia anterior, o restante foi em um avião praticamente vazio, chegando à cidade sem atrasos por volta de 9h da manhã.
O sempre generoso e amigo paulista Guilherme Maio estava nos aguardando no aeroporto para nos assessorar em SP, depois de já ter providenciado inclusive a retirada antecipada de nosso kit da corrida, a quem agraceço muito por toda a hospitalidade oferecida. Me deixou no hotel e saíram ele, o Hoffmann e o Leo Hacidume, que está morando lá temporariamente para o Mercado Municipal. O Hoffmann havia pensado o ano inteiro em comer aquele sanduíche de mortadela e andar pela cidade, então preferi descansar e me poupar para a corrida. Será que se esqueceram de que iam correr ainda 15 km sendo os últimos 4 km de final apocalíptico que é a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio? Eu, pelo contrário, esta tenso e apreensivo, refazendo o percurso mentalmente para programar a corrida de acordo com as minhas expectativas, prática que mais uma vez se mostrou acertada pois tudo o que ocorreu foi aquilo que imaginei nos melhores cenários.
Combinamos de almoçar no restaurante Cantina Nipolitana, cuja especialidade é cozinha italiana e o dono japonês. A comida estava excelente e o ambiente bastante agradável. Almoçamos eu, Peter, Leo, Hoffmann, Maio, Verônica, Mayumi, Hideaki, Júlio Cordeiro de Recife e Daniel Fonseca de Minas. A conversa principal? Corridas, é claro! Depois voltei para dar mais uma pequena descansada antes da largada, me arrumar e finalmente ir correr. Marcamos o encontro próximo à Av. Pamplona por volta de 16h, mas chegando lá não consegui achá-los. Fiquei entretido tirando fotos com as figuras do evento, conversando com o povo e me divertindo bastante enquanto aguardava o esperado momento do soar das buzinas.
O clima estava bastante agradável e a Av. Paulista completamente lotada. Ouvi o locutor dizer que não conseguia ver ao longe o final da multidão. Havia placas indicativas de expectativa de pace para a corrida para melhor posicionamento, o que é fundamental e ajuda a evitar um tumulto maior, mas é muito difícil correr nestas condições, sem dúvida. O zigue-zague para ter que ultrapassar centenas de competidores mais lentos ou cansados, além do desgaste físico e mental, custou-me mais do que um quilômetro na aferição final do percurso medido pelo GPS, sendo que em várias ocasiões me via encurralado tendo que diminuir o ritmo até conseguir ultrapassar um grupo ao redor. Os espaços são pequenos e apertados. Cotoveladas e tropeções não são raros de ocorrerem.
Demorei cerca de 15 minutos para passar pelo pórtico de largada. O km 1 foi alcançado logo após o final da Av. Paulista e fui em um ritmo bastante confortável. Encontrei com o Leo Hacidume e fomos juntos a partir da descida forte da Av. Consolação que vai até um pouco além do km 3. A estratégia principal foi poupar forças para o trecho final que seria provavelmente o grande ponto da prova. Gastar muita energia no início poderia ocasionar uma perda irrecuperável que seria sentida a partir do km 11 quando as fortes subidas eram aguardadas.
Foram muitos pontos interessantes que passamos pela cidade. No minhocão os prédios são bem colados à pista e as janelas dos apartamentos estavam lotadas de espectadores. O povão participa bastante incentivando alguns e zoando outros tantos, mas é tanta figura que o objetivo parece ser esse mesmo, retratando a irreverência e o vanguardismo do pensamento brasileiro, há tantos anos.
Fomos fazendo um split negativo até o início das subidas no km 8, mas sempre ultrapassando muita gente. Íamos conversando e mantendo o piloto-automático acionado. Um pouco antes havíamos encontrado com a Mayumi e o Hoffman, indo todos daí até o final juntos. Apesar de inúmeros “pipocas”, havia água gelada em todos os postos. A organização esteve fantástica.
Enfim veio a subida da Av. Brigadeiro. Um mar de`corredores podia ser avistado ladeira acima. Os treinos nas Paineiras fizeram bastante diferença e, apesar de a subida ser forte e longa, não tive maiores dificuldades. Cheguei a comentar em tom de brincadeira com a Mayumi que o tal brigadeiro estava um “docinho de côco”. Vale ressaltar a técnica de subida da Mayumi e o passinho enganador do Leo. Os kms iam passando e estava me sentindo cada vez melhor. Na virada da Av. Paulista peguei a câmera e filmei o minuto final até a chegada. O Hoffmann também veio filmando e temos vídeos filmados no mesmo momento, com visões distintas. Passamos pelo pórtico de mãos para o alto e completamos com 1h e 40 minutos, exatamente o tempo que havia planejado, conservador mas que me proporcionou realizar uma das melhores, senão a melhor corrida da minha vida.
A volta para o Rio também foi cronometrada e tranquila, sem atrasos, e apesar do cansaço chegamos de volta à cidade no horário previsto ainda conseguindo chegar em tempo para outra festa aonde estavam vários amigos, fechando o dia e o ano com chave de ouro.
Ano que vem tem mais? Espero que sim!
Abaixo o vídeo da chegada:
Veja também as fotos do evento:
| Resultados | Url | Gráfico | Medalha | Fotos | Rota |
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Pô, Paulo, fugiu do mortadelão assim, na maior ??? Mortadela não é carne vermelha, é rosadinha. E não é bovina, é equina (credo, fica esquisito sem trema).
Brincadeiras à parte, parabéns pela sua participação na São Silvestre e por esse belo relato, fazendo jus à sua tradição de contar ótimas histórias. Fico satisfeito em saber que a corrida tenha sido do seu agrado, mas, assim como ao ler o relato do nosso camarada Hoffmann, aqui também me bateu uma pontinha de tristeza por não ter estado presente, para comemorar com vocês nessa grande festa.
Mas não faz mal. 2009 chegou e nele certamente estaremos todos juntos outras vezes, correndo e nos divertindo por aí.
Um grande abraço !
Fábio
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