O homem mais poderoso do mundo é um grande fã e praticante de esportes, especialmente de corridas. Barack Hussein Obama, 47 anos, recém eleito 44o. presidente dos EUA, tem uma rotina de treinamentos diários que geralmente ocorre antes de o dia começar (que tal 4 e meia da manhã? afinal ele tem uma carga de trabalho de 16 horas diárias), alternando exercícios aeróbicos e de força durante 45 minutos por dia, 6 vezes por semana.
O primeiro presidente negro após mais de dois séculos de existência dos Estados Unidos tem uma história bastante interessante, fazendo dele um ser internacional, globalizado. Nasceu em Honolulu, no Havaí, filho de um economista muçulmano e africano do Quênia com uma antropóloga cristã branca americana. Após a separação de seus pais e o novo casamento de sua mãe, quando tinha apenas 2 anos de idade, foi morar em Jakarta, na Indonésia, retornando para Honolulu na adolescência, sendo criado por sua parte branca da família (veja fotos). Com 18 anos mudou-se para Los Angeles, depois Nova Iorque e Chicago onde iniciou sua carreira política, sendo eleito senador pelo Estado de Illinois. É graduado em Ciências Políticas pela Universidade de Columbia e em Direto pela Universidade de Harvard.
Em 04 de novembro de 2008, 44 anos depois do célebre sermão “I have a dream” que Martin Luther King proferiu diante de 250 mil pessoas no Memorial Lincoln Park em Washington, Obama foi eleito coincidentemente o 44o. presidente americano. Está sendo considerado por muitos a salvação do mundo, por outros o anti-Cristo e talvez a maioria esteja apenas desconfiada. Aqui no Brasil já vimos mais ou menos este filme, embora o nosso caso seja extremamente pior. “We have chosen hope over fear” foi quase o mesmo slogan de uma campanha recente.
Parece uma pessoa com uma boa essência, capaz de promover uma revolução social através da aproximação dos povos com a aceitação das diferenças. Resta ver se o orgulho americano suportará esta situação quando as dificuldades se manifestarem. Por enquanto parece que estão com auto-estima e esperança elevadas, apesar da crise que assola a economia mundial resultado da prepotência e decadência americanas na última década.
“A verdadeira essência do apelo de Obama é a idéia de que ele representa o idealismo racial – a idéia de que raça é algo que os EUA podem transcender”, disse Shelby Steele, pesquisadora da Instituição Hoover da universidade Stanford, ao Wall Street Journal. Afinal, o mesmo Deus criou a mim e a você, independente da sua ou da minha cor. Assim devemos respeito incondicional ao próximo, à natureza, às plantas e aos animais.
Só para constar, o ex-presidente George W. Bush (o filho), também um entusiasta das corridas, foi o primeiro presidente americano a completar uma maratona, quando em 1993 ele fechou a Maratona de Houston em 3 horas e 44 minutos (artigo da revista Runners).
O que você faria se no meio de uma corrida um corredor desconhecido tombasse passando mal à sua frente?
Pois foi o que ocorreu comigo na Corrida de São Sebastião neste domingo. Não pensei duas vezes: parei para ajudar o corredor chamado “seu Nilton”, de 52 anos que, pelas suas próprias palavras, só estava acostumado a correr uma média de 5 kms eventuais.
Vários fatores culminaram com a perda súbita de suas forças: apesar de o sol estar parcialmente encoberto pelas nuvens, dando a falsa impressão inicial de amenidade, durante a prova a sensação térmica era de um abafamento agonizante. Além disso faço uma dura crítica à organização da Spiridon: água deve ser sempre abundante. Para corridas de 10 kms no Aterro o ideal é que tenhamos postos de hidratação a cada 2,5 kms. Nesta corrida o primeiro posto foi colocado somente no km 4.
O calor era tão intenso que nestas condições fico na dúvida se refrescar a cabeça jogando um copo de água seja a melhor opção, mas foi o que fiz. Depois de alguns segundos de relaxamento, parece que a umidade e a evaporação tornam o calor ainda mais insuportável. Os reflexos imediatos são o significativo aumento dos batimentos cardíacos e a consequente necessidade de diminuir do ritmo.
Quando chegava próximo ao km 7 tudo aconteceu muito rapidamente. Seu Nilton quase teve um mau súbito, desabando no canto da pista junto à grama, de olhos fechados e nitidamente passando mal. Chegou a babar pela boca e seu peito parecia uma bateria de escola de samba, tamanha a arritmia. Paramos eu e alguns corredores para ajudá-lo, entre nós um médico, enquanto um corredor providenciava água gelada e outro voltava para pedir auxílio à equipe médica no intuito de enviar a ambulância para socorrê-lo.
Depois do susto inicial, quando ele parecia ter desmaiado e entrado em processo convulsivo, e de alguns minutos de tensão até que ele recobrasse os sentidos, o colocamos sentado por alguns instantes. Reclamava muito do calor e pedia que o refrescássemos jogando água. Aguardei a chegada da ambulância, certifiquei-me que estava tudo bem e tentei voltar para a prova, mas perdi totalmente o “tesão” de correr. Mais à frente ouvi rumores de que outro corredor estaria caído e solicitava atendimento com urgência.
Daí tiramos algumas lições: a primeira, bastante comentada por aqui, é sobre o auto-conhecimento dos nossos próprios limites e o extremo respeito com que devemos encará-los. Competição, orgulho, vaidade e irresponsabilidade podem ter consequências trágicas. Daí a fundamental importância em ter um relógio que monitore a frequência cardíaca, para que possamos conhecê-la e acompanhá-la com precisão, sabendo o momento de diminuir ou até mesmo parar. A segunda é que ajudar o próximo que se encontra em dificuldades é sempre o melhor que podemos fazer.
A corrida teve bons momentos também, por exemplo quando tentei acompanhar por alguns minutos o ritmo frenético da profa. Márcia Ferreira depois que ela passou por mim. Engatei a quinta em um ritmo alucinante, parecia que as outras pessoas andavam, tamanha a voracidade das ultrapassagens. Continua uma atleta incrível. Me chamou com naturalidade para acompanhá-la até o final, o que me fez das boas gargalhadas. Deve ser muito bom correr assim, mas tive que deixá-la prosseguir junto a outro atleta da equipe que ia fazendo o abre-alas.
Pela equipe ACORUJA que levou o troféu de maior número de inscritos, estavam Ricardo Hoffmann, Jorge Cerqueira, Gian Ramalho, Rodolfo Bueno, Lady, o novo amigo real André Xampa e toda a galera que não sei o nome, além da Aline Freitas, do Robson e de outros atletas da Márcia que foram ao Aterro apenas para fazer um treino de corrida e bike.
Enfim, se por um lado fica uma ponta de frustração, pelo menos fiz a minha boa ação do dia. Aos “seu Niltons” das corridas, não há diversão quando se arrisca a vida. Monitorem seus batimentos, treinem com frequência, respeitem seus limites e não tenham vergonha de andar ou parar, só assim poderão encarar novos desafios com segurança.
Fiz uma pesquisa na internet e descobri dados alarmantes de 2007 (fonte HCor, Revista Vigor), na qual há 1 morte súbita no Brasil a cada 4 ou 5 minutos:
“Existem momentos vertiginosos na vida em que vemos tudo com clareza, sentimos a própria força, as possibilidades, vemos a condição ante a qual éramos medrosos ou fracos. São os momentos de mudança. Essas coisas chegam sem aviso, como a morte, ou a conversão”. – Sándor Márai (1900-1989).
Tenho ouvido cada vez mais os amigos comentando: “Neste ano? Só vou correr de 15 kms pra cima!” Ou então: “10 kms? Estou fora, a meta agora é o Meio-Ironman e tenho que me focar”.
Agora me pergunto: será esta uma tendência natural de todo corredor ir aumentando os desafios pessoais através do esporte, sem fim? Na medida em que uma vitória é conquistada, ela tende a ser sempre igual ou maior na próxima oportunidade?
A resposta, na maioria das vezes, é SIM. Mas esse não é um privilégio da corrida. Faz parte da natureza humana a insatisfação dentro da satisfação, a vontade de querer sempre mais e não se contentar em se sentir estagnado, mas manter o desejo de progredir continuamente. Então de 10 kms os corredores passam a correr meia-maratonas, maratonas, alguns vão para o triathlon e acima disso abre-se um novo mundo de possibilidades com ultramaratonas, ironmans e afins.
Ainda estou nos degraus iniciais desta escada, e se por um lado considero bastante difícil completar bem uma maratona, por outro vejo muitos exemplos inspirados em pessoas que de certa forma já conquistaram isso e muito mais, superando quaisquer as adversidades sempre em busca de um objetivo maior.
Portanto, tudo se inicia com o sonho. A única e real questão relevante no mundo chama-se “a busca” e ela sempre depende de cada observador e da forma como a fazemos.
OBS: a imagem acima é uma ilusão de ótica, o chamado triângulo impossível, ou triângulo de Penrose.
Comprei um tênis novo, o Asics Cumulus 10. Não é o top de linha em termos de absorção de impacto ou quantidade de gel, mas compensa pela leveza, conforto e firmeza nas pisadas, além do preço mais em conta. Os modelos mais avançados da Asics são o Kayano 14 (pisada pronada) e o Nimbus 10 (pisada neutra ou supinada).
Com esta aquisição, espero poder manter a progressão dos treinos minimizando os riscos de problemas causados pelo uso de calçado inadequado, especificamente.
A recomendação tradicional é trocar o tênis a cada 500 kms rodados em treinos e provas, além de se for possível manter mais de um par para poder balancear o uso.
O meu último tênis foi o Nimbus 9, que considerei muito bom mas relativamente pesado para mim. Acredito que o Cumulus seja mais adequado ao meu tipo físico. Fiz um treino de 7 km com ele e me senti bem.
O modelo GEL-CUMULUS ® 10 continua a oferecer todas as características de conforto e de calce que os corredores esperam dessa série. Sua ampla plataforma de Solyte® com estruturas de impacto repartidas e independentes oferece conforto excepcional e estabilidade surpreendente, criando uma solução indicada para pisadas neutro-supinadas.
TECNOLOGIAS
I.G.S.® (Impact Guidance System)
Tecnologias relacionadas que visam auxiliar o movimento natural do pé (desde o contato do tornozelo até a propulsão).
Space Trusstic System®
Um avançado sistema de estabilidade que permite uma deformação controlada da entressola e aumenta a eficiência do ciclo da pisada nas fases de contato, transição e propulsão. Tem a função de reduzir o peso do solado e proporcionar melhor estabilidade torsional do tênis.
Entressola em Solyte®
Material extremamente leve que oferece ótimo amortecimento.
P.H.F.®
Espuma que compõe a região do colar do contra-forte e possui efeito de memória, se moldando ao tornozelo do atleta, no intuito de criar um calce personalizado.
Ontem, sexta-feira, no treino do Forte da Urca, a profa. Márcia Ferreira havia planejado uma atividade para mim de apenas 7 kms, com acelerações de 100m e trotes de 100m sucessivos.
Quando fui iniciar a atividade, ela me perguntou porque iria aquecer no sentido anti-horário. Temos uma “regra” na pista da Urca que é a seguinte: durante o aquecimento corremos em sentido horário pelas raias mais abertas, de 5 a 8. Quando partimos para o treino oficial depois do aquecimento, o de velocidade, corremos em sentido anti-horário pelas raias mais fechadas, como 1 e 2. Isto garante que se vai, além de evitar colisões, não condicionar a mente com um único sentido e não prejudicar o corpo pela repetição da inclinação efetuada para suportar a força lateral de uma curva e a consequente compensação muscular necessária para realizá-la.
Argumentei que o treino era exclusivamente este, não havia nada planejado quanto ao aquecimento preliminar. Ela me disse que devia ter havido algum engano e que sempre tem que aquecer antes. Assim me propôs que fizesse um outro tipo de treino: depois do aquecimento ir pela rua, contornando os limites do Forte, que contém uma pequena subida. A distância de cada volta é de aproximadamente 800 metros. Alguns atletas sobem ainda uma escadaria gigante que tem ao lado, no melhor estilo Rocky Balboa, mas por sorte não seriam as escadas desta vez. Para este treino iríamos eu, Peter e Roberto. Nos juntamos e nos separamos de outros corredores pelo caminho e em um determinado momento um outro corredor comentou: “Poxa, alguém aqui está com uma passada de elefante!” Observei por alguns segundos e respondi: “Acho que sou eu!”
E era verdade, enquanto um corria sem barulho algum (lógico aquele que falou), um fazia “flopt flopt” e o outro “tpoff tpoff”, a minha passada fazia “tchumpt tchumpt”! (Não sei por que me lembro da Mayumi escrevendo isto! ;-D)
Já havia percebido esta característica uma vez quando troquei o tênis, achei natural, me acostumei e esqueci, mas pelo visto estou precisando aprimorar mais a técnica das passadas para pisar mais leve. Sem falar que já está na hora de trocar o tênis também. Vou começar a procurar um novo modelo, mas a preferência ainda é por um Asics para pisada supinada. Provavelmente outro que não o atual Nimbus 9.
Sem dúvida, os meus grandes desafios para este ano serão as meia-maratonas.
O objetivo de 2009 é formar uma base ainda melhor e terminar o ano me preparando com treinos maiores visando (possivelmente) correr a minha primeira maratona em 2010, em local ainda a ser escolhido, talvez seja Porto Alegre em maio ou Nova Iorque em novembro. Mas até lá há um longo caminho (literalmente) a ser percorrido.
Portanto reduzirei a participação em alguns eventos secundários, me concentrando nos treinamentos e nos eventos de maior porte. Mas claro que dá para encaixar uma ou outra corridinha no domingo, desde que mantenha os treinamentos conforme o planejado o maior tempo possível.
Algumas provas de interesse para o ano (* datas a confirmar):
Na última corrida de São Silveste, consegui chegar na frente do Franck Caldeira!
Bom, não foi bem assim como se poderia imaginar, a câmera filmando a minha incrível ultrapassagem por ele no pelotão de elite. Até porque eu não estava no pelotão de elite e cheguei depois de 10 mil corredores. O que aconteceu foi que ele quebrou e abandonou a prova, ainda no km 10.
Contrastando com a aparente arrogância, soberba e sarcasmo deste post, venho a público manifestar que mantenho profundo respeito por este atleta jovem, de apenas 25 anos e com uma carreira vitoriosa: um corredor que já venceu provas como a Maratona no Pan-2007; a Volta da Pampulha em 2003, 2006 e 2007; a Meia do Rio em 2006 e 2007, a própria São Silvestre em 2006, além de inúmeras outras provas menores, como a última Rio 10k Panamericana, que também participei.
Desta vez, pelo que acompanhei pela imprensa, ele teve problemas com a alimentação e se sentiu mal durante a corrida. Pode acontecer com qualquer um, ainda mais no nível de performance que estes caras atingem, em que cada detalhe é determinante. São verdadeiras máquinas de correr. Para se ter uma idéia, o campeão da São Silvestre, o queniano James Kipsang fez uma média de menos do que 3 minutos por km, ou seja, mais que o dobro da minha velocidade.
O aspecto psicológico de um atleta é muito importante. Tem que ser sempre trabalhado para que se consiga superar a tentativa de dominação da mente que cria situações às vezes ilusórias e aterrorizantes. As pequenas vitórias vão fortalecendo essa questão emocional. A capacidade de superação, humildade, perseverança, determinação, paixão, atitudes comuns aos corredores, devem ser sempre valorizadas.
Por outro lado, esta não é a primeira desistência do Franck Caldeira. No ano passado ele havia abandonado a São Silvestre no km 11, e nas Olimpíadas da China ele desistiu de completar a maratona olímpica. Franck tem experiência suficiente para conhecer seus próprios limites, e provavelmente parou preventivamente para se poupar de um problema maior. Acho essa atitude extremamente válida, pois ao invés de forçar e sustentar uma situação com irresponsabilidade, por vaidade ou orgulho, preservou o corpo, seu principal instrumento de trabalho, para que o mantivesse são no intuito de aproveitar uma melhor oportunidade. Isso não é raro de ocorrer na elite mas é uma postura que serve de exemplo para amadores de que os limites devem ser respeitados.
Há muita polêmica no assunto, e reitero que sou fã do Franck Caldeira, pela sua conduta, pelos seus resutados e pela imagem que transmite, e tenho certeza de que ainda o verei subindo em mais pódios nos grandes eventos internacionais, coroando ainda mais sua carreira de sucesso.
É a mãe, sem dúvida nenhuma, a rainha de todas as provas. A São Silvestre, mais famosa corrida de rua de toda a América Latina, iniciou em 1924 com apenas 48 corredores. Ontem, mais de 20.000 pessoas tiveram a oportunidade e o privilégio de percorrer as ruas da maior cidade do Brasil, no uníssono das passadas de uma manifestação esportiva e popular inigualável. Não há, nesta dimensão, corrida igual em qualquer outro canto do planeta.
É incrível como a unanimidade sobre a proporção do evento contagia e atrai pessoas de todo o país. Com isso ganha uma impressão tipicamente brasileira cuja qualidade é representada pela irreverência e confraternização promovida pelos atletas e pela população que vibra a cada rua, a cada passo. A São Silvestre está no imaginário das pessoas e me faltam palavras para descrever o evento em sua plenitude. A história já o fez e continua a fazê-lo com excelência.
Mas voltemos aos fatos. A São Silvestre ocorre tradicionalmente no último dia do ano, 31 de dezembro. A idéia era ir, correr e voltar no mesmo dia para passar o reveillon de volta à cidade maravilhosa. Fomos um grupo daqui do Rio com algumas pessoas da equipe da Márcia Ferrreira/ACORUJA como eu, Peter Wetzlar, Rodolfo Bueno, Lady e Verônica Pescadinha; o Ricardo Hoffmann que é da ACORUJA/Araribóia Runners, além de outros corredores que não sei o nome. O Peter e a Verônica já tinham ido no dia anterior, o restante foi em um avião praticamente vazio, chegando à cidade sem atrasos por volta de 9h da manhã.
O sempre generoso e amigo paulista Guilherme Maio estava nos aguardando no aeroporto para nos assessorar em SP, depois de já ter providenciado inclusive a retirada antecipada de nosso kit da corrida, a quem agraceço muito por toda a hospitalidade oferecida. Me deixou no hotel e saíram ele, o Hoffmann e o Leo Hacidume, que está morando lá temporariamente para o Mercado Municipal. O Hoffmann havia pensado o ano inteiro em comer aquele sanduíche de mortadela e andar pela cidade, então preferi descansar e me poupar para a corrida. Será que se esqueceram de que iam correr ainda 15 km sendo os últimos 4 km de final apocalíptico que é a subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio? Eu, pelo contrário, esta tenso e apreensivo, refazendo o percurso mentalmente para programar a corrida de acordo com as minhas expectativas, prática que mais uma vez se mostrou acertada pois tudo o que ocorreu foi aquilo que imaginei nos melhores cenários.
Combinamos de almoçar no restaurante Cantina Nipolitana, cuja especialidade é cozinha italiana e o dono japonês. A comida estava excelente e o ambiente bastante agradável. Almoçamos eu, Peter, Leo, Hoffmann, Maio, Verônica, Mayumi, Hideaki, Júlio Cordeiro de Recife e Daniel Fonseca de Minas. A conversa principal? Corridas, é claro! Depois voltei para dar mais uma pequena descansada antes da largada, me arrumar e finalmente ir correr. Marcamos o encontro próximo à Av. Pamplona por volta de 16h, mas chegando lá não consegui achá-los. Fiquei entretido tirando fotos com as figuras do evento, conversando com o povo e me divertindo bastante enquanto aguardava o esperado momento do soar das buzinas.
O clima estava bastante agradável e a Av. Paulista completamente lotada. Ouvi o locutor dizer que não conseguia ver ao longe o final da multidão. Havia placas indicativas de expectativa de pace para a corrida para melhor posicionamento, o que é fundamental e ajuda a evitar um tumulto maior, mas é muito difícil correr nestas condições, sem dúvida. O zigue-zague para ter que ultrapassar centenas de competidores mais lentos ou cansados, além do desgaste físico e mental, custou-me mais do que um quilômetro na aferição final do percurso medido pelo GPS, sendo que em várias ocasiões me via encurralado tendo que diminuir o ritmo até conseguir ultrapassar um grupo ao redor. Os espaços são pequenos e apertados. Cotoveladas e tropeções não são raros de ocorrerem.
Demorei cerca de 15 minutos para passar pelo pórtico de largada. O km 1 foi alcançado logo após o final da Av. Paulista e fui em um ritmo bastante confortável. Encontrei com o Leo Hacidume e fomos juntos a partir da descida forte da Av. Consolação que vai até um pouco além do km 3. A estratégia principal foi poupar forças para o trecho final que seria provavelmente o grande ponto da prova. Gastar muita energia no início poderia ocasionar uma perda irrecuperável que seria sentida a partir do km 11 quando as fortes subidas eram aguardadas.
Foram muitos pontos interessantes que passamos pela cidade. No minhocão os prédios são bem colados à pista e as janelas dos apartamentos estavam lotadas de espectadores. O povão participa bastante incentivando alguns e zoando outros tantos, mas é tanta figura que o objetivo parece ser esse mesmo, retratando a irreverência e o vanguardismo do pensamento brasileiro, há tantos anos.
Fomos fazendo um split negativo até o início das subidas no km 8, mas sempre ultrapassando muita gente. Íamos conversando e mantendo o piloto-automático acionado. Um pouco antes havíamos encontrado com a Mayumi e o Hoffman, indo todos daí até o final juntos. Apesar de inúmeros “pipocas”, havia água gelada em todos os postos. A organização esteve fantástica.
Enfim veio a subida da Av. Brigadeiro. Um mar de`corredores podia ser avistado ladeira acima. Os treinos nas Paineiras fizeram bastante diferença e, apesar de a subida ser forte e longa, não tive maiores dificuldades. Cheguei a comentar em tom de brincadeira com a Mayumi que o tal brigadeiro estava um “docinho de côco”. Vale ressaltar a técnica de subida da Mayumi e o passinho enganador do Leo. Os kms iam passando e estava me sentindo cada vez melhor. Na virada da Av. Paulista peguei a câmera e filmei o minuto final até a chegada. O Hoffmann também veio filmando e temos vídeos filmados no mesmo momento, com visões distintas. Passamos pelo pórtico de mãos para o alto e completamos com 1h e 40 minutos, exatamente o tempo que havia planejado, conservador mas que me proporcionou realizar uma das melhores, senão a melhor corrida da minha vida.
A volta para o Rio também foi cronometrada e tranquila, sem atrasos, e apesar do cansaço chegamos de volta à cidade no horário previsto ainda conseguindo chegar em tempo para outra festa aonde estavam vários amigos, fechando o dia e o ano com chave de ouro.