| Dist. Real |
21.56 Km |
Tempo Liq. |
02:22:46 |
Tempo Tot. |
02:30:16 |
| Velocidade |
8.87 Km/h |
Pace |
06:46 min/Km |
No. Peito |
7579 |
| Geral |
3804/4600 (83%) |
Sexo |
2863/3298 (87%) |
Categoria |
516/580 (89%) |
O evento que envolve a meia maratona do Rio é certamente o melhor de todos os que ocorrem na cidade e, desde o ano passado, tem sido bastante aguardado por mim como uma das grandes metas a serem conquistadas dentre os vários objetivos traçados para o ano. Alguns obstáculos se colocaram neste período e, com paciência, consegui superá-los e posso afirmar com muito orgulho que eu estive lá.
São três corridas que ocorrem concomitantemente: a maratona (42,2 km), a meia maratona (21,1 km) e a family run (6 km). A maratona inicia no Recreio, a meia maratona larga do Pepê e a family run começa e termina no Aterro, onde as outras provas também encerram. Isso envolve um planejamento e uma logística bastante complexos, tendo a Spiridon provado uma vez mais possuir as competências necessárias para organizar eventos deste porte.
A única ressalva que tive foi quanto ao local escolhido para entrega dos kits. O Centro de Convenções Sul América na Cidade Nova tem uma boa estrutura, com estacionamento e amplo espaço aproveitado para a realização paralela de uma feira de esportes. Mas pelo fato de ser longe do fluxo normal do dia a dia das pessoas acabou concentrando as entregas no sábado, causando grandes filas e algum transtorno. A tradicional estação do Metrô da Carioca continua sendo o melhor local para este fim, porque dilui as entregas durante a semana já que muita gente passa pelo local.
Pelo menos tinha tempo disponível e consegui encontrar alguns amigos para batermos um bom papo. Encontrei com Franklin, Silvio e Peter, vi o Hideaki de passagem, soube que o Harry estava por lá. Mais tarde fomos eu, Wlad e Aline, Leo e Cleide almoçar juntos. Sempre agradáveis companhias além de confiáveis e valiosas fontes de informação física, atlética, nutricional, desportiva, motivacional, psicológica e quantos outros nomes conseguir lembrar. As experências alheias contadas nas vitórias pessoais de cada um nos motivam a também evoluir e superar os nossos próprios limites.
Como sempre, fui dormir mais tarde que o esperado e, apesar de ter garantido um lugar no ônibus do evento que levaria os corredores à largada na praia do Pepê, como a última saída estava programada para às 5 e meia da manhã combinei de ir um pouco mais tarde com o Hoffmann. Quando chegamos ao local do evento encontramos o grande amigo paulista Guilherme Maio que fazia sua estréia em corridas no Rio. Espero que tenha gostado do percurso e feito uma boa prova! Tinha bastante gente da equipe passando a todo momento como Peter, Verônica, Aline, Robson e outros.
Havia muitos atletas na prova, acho que superaram o recorde de inscrições neste ano. A temperatura estava agradabilíssima para os padrões cariocas. O mar havia subido e as ondas estavam fortes e perfeitas, proporcionando um espetáculo à parte na composição da bela paisagem que acompanha todo o percurso. Ficamos bem para trás na largada e demorei vários minutos para ultrapassar o pórtico inicial. O lado bom foi que sobrou espaço para uma corrida tranquila, mesmo nos trechos em que delimitaram a área disponível para os corredores de forma bastante restritiva.
Os primeiros 6 kms foram bem tranquilos até que iniciamos a subida da Niemeyer. Neste momento comecei a me sentir enjoado e fiquei apreensivo porque a sensação aumentava. Fiquei com receio de ter que parar e vomitar. Mas o que estava ocorrendo era justamente o inverso: tomei café da manhã muito cedo e já estava com o estômago vazio. Devia ter comido mais! Abri o primeiro gel ao final da subida e aos poucos fui me recuperando. Durante a descida aproveitei para descansar soltando o corpo e o enjôo passou antes da chegada ao Leblon.
Mentalmente procurava comparar o meu estado físico e psicológico com as lembranças que tinha da mesma prova no ano passado. Logo antes de cruzarmos o km 10 eu aparentava estar mais cansado desta vez. Uma das evidências era a lembrança de ter vindo brincando e sorrindo durante a Niemeyer no ano passado, o que me fez chegar ao mesmo km 10 com mais disposição. Mas estava me sentindo cada vez melhor e avistar ao longe a pedra do Arpoador, no final de Ipanema, não me abalou.
Uma característica bastante peculiar nas corridas no Rio, reflexo do jeito próprio de ser do carioca, é o mínimo incentivo que existe da torcida aos atletas durante o trajeto da corrida. É o jeito “não tô nem aí pra você”, ou “passa logo que tá me atrapalhando” de quem mora aqui. Estas pessoas talvez não imaginem como um aplauso de incentivo ou uma palavra de motivação podem modificar o estado de espírito de um corredor.
Ainda no Leblon uma senhora olhou pra mim e gritou: “Força garoto, força!”. Eu olhei para ela e agradeci pelo “garoto”. Os corredores ao meu lado riram e essa simples manifestação me devolveu a alegria da corrida e me motivou novamente. Uma velhinha muito simpática em Copacabana também aplaudia e estimulava fervorosamente os atletas, entusiasmada com aquela multidão de corpos que passava de forma incessante. Esses fatos transcendem o que representa a essência solitária da corrida em si, valorizando ainda mais o esforço envolvido a cada passada e fazendo com que ele valha a pena.
Em Ipanema tomei o segundo gel, próximo ao km 14. Faz muita diferença ingeri-los durante as provas longas, garantindo energia para os quilômetros seguintes. Os batimentos cardíacos estavam totalmente controlados e não passavam de 158 bpm. Sentia que o coração sobrava, mas faltava um pouco mais de força nas pernas para que imprimisse um ritmo mais forte. Até então evitei fazê-lo com medo de quebrar no final. Em Copacabana percebi que ainda tinha lastro para gastar e decidi aumentar a velocidade e, consequentemente, o esforço. Acho muito bom quando chega este momento pois significa que se está bem com possibilidades de negativar alguns quilômetros. Quando passamos pelo shopping Rio Sul e entramos no Aterro, a visão do Pão de Açúcar vislumbrou-se enorme à nossa frente. Agora faltava pouco. Próximo à chegada havia um número grande de pessoas e bastante incentivo aos corredores dessa vez. A torcida aqui já aplaudia e gritava solicitando o sprint final dos atletas.
Fechei bem próximo do tempo esperado que era de 2h 20 min. Fiz em 2h 22 min. Tirei quase 20 minutos do tempo do ano passado, fazendo o recorde pessoal na distância, o que é sempre um bom indicativo. Refletindo sobre a prova, poderia tê-la feito ainda mais rápido. Isso me motiva muito a continuar treinando cada vez mais, ciente da possibilidade de melhorar o tempo no ano que vem, a não ser que decida correr a minha primeira maratona nesta prova em 2010, o que será ainda melhor.
Após a corrida fui para a tenda da equipe, comi e bebi bastante, conversei com o pessoal e fiz uma massagem para relaxar os músculos. Estavam Caetano, Wlad, Aline, Peter, Hoffmann, João, Letícia, Adriana, Aline Freitas, Lúcia, Rodolfo, Gian, Soraia, Gil, Lady, Gabriel, outros que não lembro o nome e o pessoal da ACORUJA, Luiz, Ivonaldo, Claudinha e o restante da galera. Depois fomos acompanhar os corredores na chegada da maratona. Vi Campelo, Márcio Mello, Sômulo, Hideaki, Lady, entre outros. É emocionante. Chegam muitas expressões diferentes, mas dentro delas percebe-se que existe algo em comum no brilho dos seus olhos, nas emoções as quais estão submetidos naquele momento especial. É a hora em que, após contornarem a última curva, avistam o pórtico de chegada situado 200 metros à frente. As sensações são de vitória pessoal, superação de limites, objetivo cumprido, meta alcançada, sendo todos verdadeiramente vencedores.
Parabéns aos patrocinadores, à organização e a todos os corredores que fizeram este dia ser tão especial. Essa já deixou saudades. Até 2010!
Boas corridas!
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Rota |
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