| Dist. Real |
10.35 Km |
Tempo Liq. |
01:02:20 |
Tempo Tot. |
00:00:00 |
| Velocidade |
9.63 Km/h |
Pace |
06:01 min/Km |
No. Peito |
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| Geral |
- |
Sexo |
- |
Categoria |
- |
Esta corrida foi especialmente gratificante para mim. Teve tudo para dar errado, mas não é que as coisas se acertaram e de seu modo foi uma das minhas melhores corridas?
Isso me faz refletir mais uma vez sobre o que está por trás dessa certa aleatoriedade da vida. Ás vezes temos tudo sob nosso controle, os acontecimentos vão moldando um ambiente perfeito para que algo especial aconteça, algo que você deseja e quer muito em um determinado momento. Mas se alguma coisa dentro ou fora de seu controle der errado, a reação em cadeia pode gerar um desastre total.
Do lado contrário, percebemos também em algumas situações onde, estando em um ambiente caótico, com poucas chances de algo dar certo, a mágica acontece e voilá - aqueles possíveis obstáculos vão se desfazendo pelo caminho, abrindo espaço para momentos agradáveis e de plenas realizações.
Tudo começou quando o despertadou tocou às 6 horas da manhã. Pelo antigo horário eram 5 horas, não é isso? Aquela preguiça imensa de um domingo de manhã e muita vontade de dormir mais. Obviamente, como a corrida começaria às 8 horas, poderia colocar o despertador para às 6 e meia. Só levantei mesmo às 7, indo direto tomar um banho para despertar. Preparei um cafe-da-manhã leve, me arrumei e já um pouco atrasado, às 7 e meia estava entrando de bike no elevador. Não tenho problemas para pegar o kit pois a treinadora Márcia Ferreira já concentra a entrega para seus atletas em sua tenda.
Quando a porta fechou o elevador não desceu. Simplesmente ela travou e não queria mais abrir. Tentei forçar a porta para fechá-la e ver se o elevador descia, manipular os botões para tentar abrir, tentar abrir “na marra” mas nada aconteceu. Liguei para o porteiro e informei que estava preso. Já eram 7 e meia mas ainda daria tempo de chegar. O porteiro então subiu para o meu andar e tentou abrir a porta por fora, sem êxito. Desceu novamente para procurar uma chave de fenda para destravar a porta e desligar a energia do elevador. Mais alguns minutos e a energia foi desligada. Mas nada da chave de fenda. Ela não estava lá… O porteiro então ligou para o zelador que acordou assustado e foi tentar resolver o problema.
De repente ouço o zelador gritar lá de baixo: “filho da &*%$!#%!!!!”, “#%@#*!!!!”, “$@*%#!!!!”, além de um forte barulho de alguém mexendo com furor nas gavetas da portaria, um barulho que misturava chaves e metais. Resultado: o outro porteiro havia pego a chave de fenda e ninguém sabia onde ela estava. Nessa hora olhei para o relógio e já marcava 7:49. Foi quando pensei: “desisto”. Sentei no elevador e fiquei muito decepcionado. Ia fazer o quê, voltar pra casa e dormir? Foi muito frustrante. Estava ali pronto para correr e sabe-se lá quanto tempo mais ficaria preso dentro do elevador. O zelador então teve que ligar para o síndico. Este o forneceu uma chave de fenda e lá veio ele de volta aos berros correndo pela escada. “Já estou indo!”, o tempo todo gritava! Tive que rir…
Quando ele finalmente conseguiu abrir a porta, eram 7:59!!!!! Pensei: “tudo bem, ferrou, vou correr sozinho lá trás, mas vou correr!”. Voei na bike como nunca, mas quando cheguei na esquina da Rua Paissandu com Praia do Flamengo às 8:05, a minha visão foi de um bando de gente correndo, ou seja, a largada já tinha acontecido. Mas ainda havia algumas pessoas no desespero como eu. Procurei a tenda da treinadora e me ajudaram a prender a bike. Nessas horas de pressa sou “todo errado”. Esqueci o gel e voltei, esqueci o chip e voltei, e quando o locutor anunciou que faltava um minuto para encerrar a largada ainda estava procurando o último alfinete para prender o número. Desisti, fiz um leve e insuficiente alongamento e parti para a prova com uns 10 minutos de atraso. Me surpreendi com a quantidade de gente ainda na área do pórtico. Tinha mais gente ainda para largar do que muita corrida de porte menor. Larguei quase no limite e a partir desse momento tudo mudou.
Tinha muita gente andando, provavelmente para os 5km. Muitos outros andando e correndo alternadamente, como muitos de nós fizemos no início de nossa “carreira” amadora. As corridas da Adidas sempre atraem novos adeptos para o mundo das corridas, praticantes iniciantes que também ficarão encantados com essa energia que é transmitida a cada passada e se tornarão assíduos corredores. Fui ultrapassando e percebendo as pessoas, contagiado por essa aura de inúmeras possibilidades, onde cada pessoa é uma experiência humana e a descoberta é sempre estimulante.
Pelo terceiro quilômetro passei pela Lúcia. Nos cumprimentamos e corremos algumas centenas de metros juntos, até que me despedi e parti para a minha corrida. Estava me sentindo bem e fui mantendo um ritmo abaixo de 6min/km. Próximo do quinto quilômetro encontrei com o Sivio. Ele estava com uma mochila nas costas e de boné. Imaginei que fosse aquela mochila que leva alguns litros de água. Conversamos e conversa-vai-conversa-vem comentei que na sexta-feira fui a uma festa e havia dormido às 7 horas da manhã. Ele virou para mim e falou: “E você está falando isso para a câmera?”. “Que câmera???”, eu falei. Ele estava com uma mínima câmera presa ao boné e na mochila estava a filmadora em si. Sensacional!! Ele grava a perspectiva do corredor. Como ele trabalha na produção da Globo, achei que era algo relacionado mas ele disse que era pessoal mesmo. Se puder vou tentar recuperar esta parte do vídeo e postar aqui. Muito engraçado. Fomos conversando mas perto do km 6 ele teve que parar para conferir alguma coisa na câmera e continuei na minha corrida.
Dei uma relaxada no ritmo alternando com momentos mais fortes. Foi uma corrida tipicamente de ultrapassagens, o que gera sempre uma sensação ilusória de um melhor desempenho, fazendo o clima ainda mais agradável. No final fiz um sprint longo e bem veloz, chegando muito bem fisicamente e bantendo meu recorde pessoal na distância com 1h 02 min 20 seg, chegando mais perto da meta de baixar de 1 hora. Agora senti que a possibilidade de isso acontecer aumentou bastante.
No final algumas fotos na equipe da Márcia e aquele papo de sempre com os amigos corredores. Estiveram lá o Hoffmann, Gian, Campelo, Lady, Robson, bastante gente nACORUJA mas nada de Wlad, Leo, Jorge e muita gente tradicionalmente presente nas boas corridas.
Abraço a todos e até o “cata-prego” de Guará, no Bar do Mané!